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Entrevista
Shaper Henry Lelot
SHAPEANDO SONHOS

Lelot e Flávio,
da Keahana,
desenvolvendo
a nova tecnologia
epoxy.
Com
uma carreira
marcada pelo
pioneirismo, mas
também muita polêmica,
O shaper carioca
Henry Lelot segue
formando novos
shapers e novos
talentos para o
surfe.
Há
quantos anos vc
surfa, onde e
quando vc começou
a shapear?
Aprendí surfando
no Arpoador, Diabo
e Copacabana desde
74. Em 85, com 21
anos, me joguei
para a Califórnia
com o objetivo de
aprender a shapear.
Tive a
oportunidade de
trabalhar na
Natural
Progression
Sufboards, de
Malibu, que fazia
mais de 500
pranchas mensais.

Patrick
Tamberg - nova
geração
Quantas
pranchas vc já
fez e para quem já
shapeou?
Já fiz mais de
6000 pranchas,
todas sob medida,
sem back-shaper. Já
shapeei para caras
como Barton Linch,
Matt Hoy, Todd
Miller, Jake
Spooner, Mick
Campbel, Danny
Wills, Shaw Sutton,
Mark Ochiluppo,
Kelly Slater, Joel
Parkinson, Andy e
Bruce Irons. Entre
os brasileiros,
Caulí Rodrigues,
Fedoca, Jojó de
Olivença,
Tinguinha, Ricardo
Toledo, Joca
Junior, Peterson
Rosa, Neco
Padaratz, Leo
Neves, Wilson
Nora, Tanio
Barreto, Fabio
Silva, Tita
Tavares e
Claudemir Lima,
entre outros.
Atualmente estou
iniciando um
trabalho com o
Renato Galvão
(pranchas de epoxy)
e com o Burle para
o Tow in em ondas
brasileiras e
coordeno um
projeto voltado
para a revelação
de novos talentos
como Patrick
Tamberg, 19, de
Fernando de
Noronha, Rafael
Maike, 19, do Pier
da Barra-RJ, os
irmãos Guilherme
(14) e Isabela
Lima (11) e Luana
Coutinho, 16, de
Ubatuba.


Andy
Irons experimenta
suas pranchas
desde 2001....Occy
desde 97...
O
que é a ORGANIZAÇÃO
SURFE DO BRASIL e
com que objetivo
vc a idealizou?
É uma ONG que tem
como objetivos
popularizar o
esporte e
capacitar as
pessoas para
realizarem o sonho
de viver do surfe.
Seja
confeccionando
pranchas, ou se
tornando um
surfista
profissional...
Através da O´SURFE,
nos últimos 2
anos já
capacitamos mais
de 200 jovens
oriundos de
comunidades
carentes, em
atividades que vão
desde a iniciação
no esporte até
cursos
profissionalizantes
de confecção de
pranchas de surfe.
Desenvolvemos
ainda, um projeto
especial, trazendo
para trabalhar com
o surfe dois
especialistas de
renome
internacional no
esporte voltado
para o alto
rendimento: o
Prof. João
Alberto Barreto
(Psicologia
Esportiva) e o Dr.
André Castanheda
(Medicina
esportiva) são
profissionais com
teorias
respeitadas
mundialmente e métodos
personalizados de
avaliação e
treinamento físico
e psicológico
especialmente para
atletas que buscam
o alto rendimento
nas competições
esportivas.
Contando com esse
staff técnico os
atletas poderão
desenvolver ao máximo
o seu potencial.
Atletas de todo o
Brasil, optando
por treinar no Rio
de janeiro, podem
ainda contar com
uma
infra-estrutura
especialmente
voltada para o
surfe: nossa sede
fica a duas
quadras da praia
da Macumba, e
possui alojamento
com rack p/
pranchas, armário
individual, ducha
quente,
ventiladores,
geladeira,
banheiros,
internet rápida e
bar temático com
sucos, sanduiches
e refeições
naturais, além de
net, exibição de
DVDs de surf inéditos
e uma
oficina-escola
onde são
realizados os
cursos
profissionalizantes
de shape e laminação,
que rolam
mensalmente.


Quer
dizer que além de
shaper, vc é também
instrutor de surfe
e treinador de
atletas?
Realmente fiz o
curso da CBS/ISA
com o objetivo de
me tornar mais
completo como
shaper e de me
capacitar para a
coordenação dos
projetos citados.
Trata-se de uma técnica
Australiana que
permite ao aluno
ficar em pé na
prancha, já na
primeira aula.
Hoje, posso dizer
que tenho uma visão
muito mais afinada
sobre qual modelo
e dimensão de
prancha um
iniciante
necessita, de
acordo com sua
faixa etária, o
seu tipo físico e
a sua coordenação
motora.


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Você
foi o
primeiro
a
utilizar
a informática
na
confecção
de
pranchas
de surfe
com o
seu método
de
precisão
nas
medidas,
o
Computer
Design
System.
Fale um
pouco
sobre
como ele
pode
auxiliar
ao
shaper...
O CDS é
uma
planilha
que
fornece
um cardápio
de
medidas
para ser
utilizado
pelo
shaper
no
planejamento
de cada
prancha,
tudo de
maneira
personalizada
e
proporcional,
através
da TPV
(teoria
dos
pontos
variáveis).
O CDS
inclui
regulagens
que
variam
de
acordo
com o
posicionamento
do
surfista,
sua
distribuição
de peso
e pressão
sobre a
prancha,
onde até
o
tamanho
do pé
é
importante,
especialmente
no caso
das
meninas,
por
exemplo,
que
costumam
ter o pé
menor. O
CDS pode
ser
regulado
com o
design
padrão
de cada
shaper,
ou mesmo
a partir
de uma
prancha
base
(uma
prancha
do Kelly
Slater,
por
exemplo)
e inclui
regulagem
para
ondas
maiores
também.
Vc
foi o
primeiro
a
ensinar
a arte
do shape,
tendo
formado
em seu
pioneiro
curso de
shape,
nomes
que já
se
destacam
no
mercado,
como
Hennek,
Passos,
Bessa,
Hrday,
Davenia
Ferraz,
Simon,
Pereira
(Maceió),
Gabriel
Veras
(Fortaleza)
e muitos
outros.
Há quem
diga que
vc cria
cobras
...
Deus não
dá asa
a
cobras...
:-) Mas
acho que
isso faz
parte
também;
quem
quer se
tornar
shaper
mesmo,
acaba se
tornando.
Então,
é
melhor
que eles
entrem
fazendo
um
trabalho
bem
feito, e
isso é
possível
através
do CDS,
mesmo
para
quem está
começando.
Nesses
últimos
13 anos,
passei o
método
CDS para
mais de
500
novos
shapers
do
Brasil,
América
do sul,
Europa e
Japão.
É uma
satisfação
ajudar
as
pessoas
a
realizarem
seus
sonhos,
especialmente
o sonho
de viver
do
surfe,
viver de
pranchas,
puro
idealismo.
As
pessoas
tem que
trabalhar
com o
que
gostam.
Alguns
shapers
reclamam,
mas eu
acho que
a gente
não
deve se
preocupar
com os
outros.
Me dou
bem com
essa
galera
toda que
aprendeu
comigo
e,
sinceramente
desejo o
sucesso
para
todos.
Sempre
haverá
espaço
para
bons
profissionais.
Na
matéria
"
Novas
possibilidades"
, no último
guia de
pranchas
da
revista
Fluir,
vc
coloca
que
utilizando
o método
Computer
Design
System e
o
sistema
DSD/Surf
cad
combinados,
o shaper
pode
aferir
ainda
maior
precisão
nos
shapes e
personalização
nos
designs.
A matéria
causou
certa
polêmica
entre os
shapers,
o que
mais vc
poderia
falar a
respeito?
A máquina
oferece
precisão
no que
ela faz,
mas ela
não faz
tudo. Se
o shaper
quiser
mesmo
maior
precisão,
precisa
controlar
o finish
com
medidas,
pois se
trata do
ajuste
fino da
prancha.
As
medidas
escolhidas
pelo
shaper
através
do CDS,
são
jogadas
no DSD e
após a
usinagem
pela máquina,
o shape
é
conferido
com base
nas
medidas
fornecidas
pelo
CDS;
importante
lembrar
que a máquina
não
desbasta
a
longarina,
então
como
garantir
a precisão
necessária
em toda
a extensão
da
longarina
e nas
bordas
após o
pré-shape?
O CDS
permite
uma
precisão
extra...
Enfim,
o método
CDS é
extremamente
útil ao
shaper
no
planejamento
das
medidas,
funciona
totalmente
em
harmonia
com o
sistema
DSD/Surfcad
e inclui
medidas
também
para o
finish,
garantindo
maior
precisão
e
personalização
dos
designs.
Afinal
de que
adianta
tanta
precisão
com a máquina,
e depois
fazer o
finish
no olho?
O que
posso
garantir
é que
1/16 ou
até
1/32 de
polegada,
pode
fazer
muita
diferença
no
funcionamento
da
prancha.
Com o
CDS é
possível
minimizar
essa
margem
de
erro...
Quando
rolou a
falta de
blocos,
há
cerca de
3 anos,
vc
aproveitou
o
momento
e largou
o
poliuretano,
para
fazer
somente
pranchas
de epoxy.
Não foi
uma
decisão
precipitada?
Vc não
acha que
perdeu
mercado
com
isso?
Verdade
que em
um
primeiro
momento
eu perdí
mercado
mesmo.
Também
achei
que
seria
mais fácil...mas
não me
arrependo:
o epoxy
é uma
tecnologia
realmente
superior,
e acho
que saí
na
frente
me
especializando
no
material.
Atualmente,
a
Keahana
está
com uma
resina
muito
boa,
transparente,
não
amarela
mais,
aditivos
importados
que
aceleram
a
secagem
e tornam
a lixação
mais fácil.
As
quilhas
novas de
encaixe
também
são
muito
interessantes,
inclusive
compatíveis
com a
FCS.
Para se
ter uma
idéia
do nível
em que
estamos,
a
Keahana
é a única
empresa
do
segmento
que
exporta
seu
produto;
e sabe
para
quem?
Xanadú
e Matt
Biolos...
eles
acabaram
de
dividir
um
container
cheio, mês
passado...não
é
brinquedo,
não...

Computer
Design
System
Você
é o
novo
shaper
das
pranchas
OP no
Brasil.
Quais são
os
planos
da
marca?
As
marcas
de
prancha
gringas
já estão
no
mercado
nacional,
sendo
produzidas
aqui
mesmo,
com matéria-prima
nacional,
mas
comercializadas
nas
lojas ao
preço
de uma
prancha
importada.
A OP
quebrou
as
regras,
ao
credenciar
um
shaper
brasileiro
para
oficializar
a produção
de suas
pranchas
no
Brasil;
e também
por
apostar
no epoxy.
Penso
que toda
a
iniciativa
inovadora
é
importante
para a
evolução
do
mercado
e a OP
está de
parabéns.
Em
sua
opinião,
quais as
tendencias
no mundo
das
pranchas
para os
próximos
anos?
Bem, o
epoxy já
é uma
realidade
no
mercado
mundial.
As
principais
lojas de
surfe do
mundo
oferecem
pranchas
de epoxy
da
Surftech
-
Tuflite,
com mais
de 160
modelos
de vários
shapers
mundiais,
por preços
superiores
ao de
uma Al
Merrick
em
poliuretano.
Na
Australia,
Europa e
em todo
o mundo
essa
nova
tecnologia
vem
ganhando
mercado
progressivamente.
Então
penso
que
valeu a
aposta...
Acredito
que ter
me
especializado
antes
dos
outros
fabricantes,
garante
uma boa
vantagem
no
desenvolvimento
do
produto,
que vai
estar
cada vez
mais
presente
no
mercado,
por
proporcionar
uma
prancha
superior
à
convencional
em todos
os
quesitos.

Lelot
e Flávio,
da
Keahana,
desenvolvendo
a nova
tecnologia
epoxy.
Alguns
shapers
acham
que as
pranchas
de epoxy
são
leves
demais,
quebram
fácil e
quando
quebram,
entra
muita água
e são
difíceis
de
consertar.
Você
concorda?
Como é
novidade
ainda, a
tendência
é o
shaper
tentar
fazer
como se
fosse
uma
prancha
convencional.
Ele
coloca 2
panos de
4oz no
deck + 1
no
fundo...a
prancha
vai
ficar
leve em
excesso,
prejudicando
a
performance,
vai
ficar
fraca,
quebrando
a toa, e
vai
entrar
água
mesmo. Não
funciona...
O shaper
colhe
esse
feed-back
e então
desiste.
Mas se
ele não
vai a
fundo, não
se
especializa,
também
não
pode
falar
muito...
Aproveitando
a leveza
do bloco
de
isopor,
aplicamos
uma
camada
mais
grossa
de
fibra,
tornando
a
prancha
ainda
assim
mais
leve,
mais
resistente
e durável.
O isopor
flutua
30% mais
e,
combinado
com uma
camada
de fibra
mais
espessa
e a
nobre
resina
epoxy,
proporciona
uma memória
de
flexibilidade
bastante
superior,
estilingando
a
prancha
a cada
troca de
borda.
Por isso
mesmo o
surfista
necessita
de um
período
maior de
adaptação
ao
timing
da
prancha.
Se tiver
paciência
para
colocar
a
prancha
no pé,
é difícil
voltar
ao
poliuretano.
O isopor
realmente
absorve
mais água;
então o
segredo
é não
ficar
caindo
com a
prancha
tecada.
Mesmo
assim, a
água
sai e a
prancha
volta a
ficar
leve.
Sobre os
consertos,
é
praticamente
a mesma
coisa,
basta
usar
resina
epoxy e
não
deixar a
área do
conseto
fraca,
senão
quebra
de novo.
Realmente
existem
vários
macetes,
mas eu
mesmo
continuo
aprendendo
a cada
dia..
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